19 outubro 2006

Dia do médico

Só para lembrar que hoje é o Dia do Médico.

A escultura ao lado é de Asclépio, ou Esculápio, o Deus da Medicina. Ela faz parte da Coleção do Museu Pergamon de Berlim, atualmente em exposição no Museu de Arte Brasileira da FAAP, em São Paulo.

Fica a sugestão de visitar a exposição de arte greco-romana, especialmente para quem está planejando ir à 27a. Bienal Internacional de Arte de São Paulo, uma apologia ao grotesco, ao bizarro e à escatofilia. Para conhecer um pouco mais da coleção, clique na figura de Asclépio.

E pra não ficarmos apenas com o lado glamuroso da data, aproveito a oportunidade para sugeir ao leitor - especialmente quem for também médico ou estudante de medicina - a leitura de uma reflexão sobre os médicos e a morte, recentemente publicada no Floripa Total.

2 comentários:

oi disse...

"Era o Doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilim bateu em descompasso. 'Pra onde ele foi?'
'Ah, foi pra vereda do Tipã, mas amanhã ele volta, de manhã, e disse, Miguilim, que você querendo, ele junto te leva pra cidade. Você mesmo quer ir, meu filho? (...)Vai, meu filho, vai, é a luz dos teus olhos que só Deus teve poder pra te dar. Vai. Fim do ano, a gente puder, faz viagem também. Um dia, todos se encontram'.

Esse fragmento que tirei da memória e que, portanto, pode não estar totalmente de acordo com o texto original, é um dos episódios mais bonitos que já li em literatura. A miopia do personagem Miguilim é descoberta e revelada pelo médico de Curvelo. Após esse episódio, a vida do nosso doce menino nunca mais poderá ser a mesma. Os óculos emprestados do Doutor - bela metáfora do conhecimento - fazem com que Miguilim veja pela primeira vez o lugar onde mora, os detalhes do rosto de sua mãe, " a pele da terra", enfim, o menino constanta que o Mutum é realmente bonito - o que sempre fora uma dúvida capaz de angustiá-lo durante toda a narrativa, afinal, como o garoto só sabia, até então, ver o mundo com outros sentidos, sem o primado da visão perfeita, ele não poderia desfazer a péssima imagem do seu "mundo" herdada de sua mãe -.

Enfim, o médico aqui, alter ego de Guimarães Rosa - se quiserem- media a travessia do pequeno Miguilim.Ele representa o olhar do "outro" que, por estar "de fora" e, sobretudo, por representar o conhecimento, a iluminação, "limpa" as vistas de Miguilim, vence sua "doença", faz com que o menino veja a sí mesmo e descubra que ele não cabe mais naquele lugar, assegurando, assim, a possibilidade de transcedência.

Tudo isto para me desculpar pelo esquecimento do dia...
Bom,parabéns a nós, Doutor, pelo passado Dia dos Professores e meu mais carinhoso Parabéns a você pelo Dia do Médico! Obrigada por desobstruir um pouco minhas vistas a cada dia!
Muitos beijinhos!

Ercy disse...

Muito obrigado, minha querida professora. Um beijão pra vc.